X (para Y) – Estás me a ver?
Z – Claro que não o vê.
X – Porque falas tu por ele?
Y – Ele não fala por mim, nem o conheço!
X – A quem se refere, então?
Y – Talvez a ti!
Z – Eu não me refiro a nada, simplesmente não o vê.
Y – Quem não vê?
Z – O que nada vê, e pouco percebe.
X – com quem fala você, se não é connosco, de certo que fala sozinho!
Y – Sempre diz alguma coisa, não fica ali a olhar o jornal sem saber o que lê.
Z – Eu sei o que leio, até entendo nas entrelinhas, e garanto-lhes que vocês não sabem nada.
X – Sabemos que você diz coisas disparatadas!
Y – Não, não sabemos o que você sabe.
X – Talvez que saiba menos com julgue saber, e tenta nos confundir afim de parecer inteligente.
Z – Inteligente não pretendo ser, só por aqui passar sem que o sofrimento de muito saber me aterrorize.
Y – Divaga… Já que não passava, há algumas horas que se mantém no mesmo sitio. Acho que me vou.
Z – Vá, mas não se esqueça do cachecol.
Y – Não preciso dele, tenho o pescoço bem ornamentado.
X (para o empregado de balcão) – Um café, por favor.
Y – Algo me diz que não é hoje que se vão resolver os problemas relativos aos acontecimentos anteriores!
X – Esse algo não é este senhor que continua a ler o jornal?
Y – Não!
Z (lendo em voz alta) – “O primeiro-ministro José Sócrates pediu hoje desculpa por ter fumado no voo que transportou a comitiva governamental para a Venezuela. Em declarações aos jornalistas, na Venezuela, o primeiro-ministro diz que desconhecia que estava a violar a lei. José Sócrates adiantou ainda que decidiu deixar de fumar em definitivo, na sequência da polémica.” – Virando-se para X com um cigarro na mão – Tem lume?
Maio 18, 2008 at 3:01 am
Cheira-me a conversa absurda… Mas com fumo.