Viajo! Para onde, não sei… Sei que me deixo ir, minimamente atento, tentando não me perder na voragem dos pormenores que orientam a vida, essa coisa instável que me levará até ao fim da via por vezes rápida, supersónica até, outras vezes lenta e ilusoriamente estagnada que me morfiniza os sentimentos e aumenta as horas.
Eu sou o passageiro invulgar de transportes incertos que não reclama 1ª classe ou tratamento V.I.P., procurando incessantemente a novidade nas luzes que se vão apagando e reconhecendo os lugares comuns nas que se acendem, eu sou aquele que instavelmente permanece não permanecendo, sou o passageiro de noites inacabadas e dias sem principio, eu sou o que viaja dentro de mim conduzido pelo efémero esgar do momento.
